comentários sobre a opinião de Denis Lerrer Rosenfield, professor de Filosofia da UFGRS e uma breve comparação com a treta do ano passado dos Blogueiros (não-assumidos) de Aluguel, com um texto do Gravataí Merengue.
Texto do Rosenfield:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090105/not_imp302498,0.php
Texto do Gravataí:
http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2008/07/07/blogueiros_de_aluguel_a_discussao_idiota/
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Para quem não teve paciência de ler toda a verborragia do filósofo: o texto trata da questão do infanticídio nas comunidades indígenas brasileiras, e como o problema (não) é tratado pelos órgãos que deveriam zelar pelo bem-estar deles.
Relendo ele rapidamente, fiquei pensando se talvez o problema (do texto dele) tenha sido uma edição porca, ou se a intenção mesmo era ser pessoal e inexato.
Um trecho: “A situação não poderia ser mais escandalosa, pois esse tipo de conivência contraria frontalmente os princípios do cristianismo e, de modo mais geral, de toda a humanidade.”
Comentários meus abaixo sobre o texto:
. sobre o trecho acima, acho uma pachorra um cara q suponho ter estudado não ter o mínimo de noção q o cristianismo não é o umbigo pelo qual a moral e os bons costumes giram em torno. É uma das maiores influências dessas matérias? Sim. Mas do jeito que ele constrói o texto, dá a impressão que o infanticídio é um problema super urgente e todos os outros são relevantes perto do que os bebês assassinados têm que suportar.
. começar o texto criticando a ’sanha do politicamente correto’ e quem compactua pela preservação dessa prática “cultural” como sustentador do infanticídio.
. Em termos práticos: a comunidade indígena tem perdido terras e suas formas de sustento; logo, ter uma alimentação adequada e garantir a sobrevivência (pois viver não encaixa-se à realidade deles..) é complicado, num contexto que eles precisam se adaptar sem o suporte das gerações anteriores – q, por conta das péssimas condições enumeradas nesse tópico não tem condições de ensiná-los, e mesmo pq é uma situação nova para os antigos também.
. Falta comida para quem anda com as próprias pernas, imagina pra quem está por vir? Imagino que eles não tenham acesso a tecnologias como camisinhas e tabelinha para evitar a gestação.. isso vai de comunidade pra comunidade. Gerar uma nova vida implica em diversas outras preocupações: manter o (bem?)-estar dos atuais e pensar em garantir pra quem está por vir.
. Fazer leis e milhares de leis sobre o que pode e não se pode fazer é ineficaz e não é válido para todos, pois o povo que aqui vive é totalmente heterogêneo. Infelizmente, quem faz leis acha que baixar um monte de normas vai fazer com que os alvos mudem de atitudes da noite pro dia.. algumas podem até funcionar (vide Lei Seca), mas outras.. ahh, dependem muito mais de um dispositivo que não é de papel mas é o mais respeitado: o costume*.
. a minha bronca sobre o texto não é sobre a opinião dele do Infanticídio (que eu acho errado, claro!) mas a miopia que ele mesmo se impõe ao discutir o assunto: cair na ladainha que é culpa do governo, da Funai e do sujeito indeterminado que compactua isso como um fator cultural é CARNE de VACA! Como redigir um manifesto sem se responsabilizar por ele (aka Blogueiros de Aluguel), isso não ajuda nem a começar a discutir o problema.
Por que achei o Rosenfield ruim:
. aborda o tema sem especificar quem faz (pois se existe uma ação, existe.. um agente!
);
. Não dá nome às tribos que têm tal prática, não fala quem é contra a prática (pq deu a entender que só ele deu importância a esse assunto, aka MÁRTIR);
. atira para todos os lados para achar culpados (ou “em quem servir a carapuça”);
. ele utiliza como ‘marco histórico’ o cristianismo, ignorando que poderiam haver essas práticas antigamente (como os espartanos faziam..)
Por que o texto do Gravataí é bom:
. Dá a origem do ‘problema’;
. Quem se sentir ofendido tem a opção de resolver o problema em dois caminhos para resolver o ego: ou assume de vez a prática ou não aja como tal;
. Dá nome aos bois.
Resumindo: concordo com muita coisa que Rosenfield disse, mas a maneira generalista, sem sustentação e a conclusão xoxa (“ ocultamento é aqui a regra“) só dão a entender que a intenção era tocar a campainha e sair correndo.
Afinal de contas, gerar polêmica e não discutir o problema em si é algo que virou costume! =\
Enquanto o texto do Gravata é conclusivo, tem sustentação. E sugere uma resolução para o problema.
E sem imagem, pq o texto já ficou bem confuso -__-


